O Mar Morto não é propriamente um mar. É um lago localizado perto da Jordânia e de Jerusalém, conforme se pode ver no mapa abaixo:
Conhecido pela sua alta salinidade (33,7%, uma salinidade cerca de 9,6 vezes superior à dos oceanos), é também conhecido pelo curioso facto de que é extremamente fácil flutuar nas suas águas. Facto que, na verdade, não é assim tão curioso: a grande concentração de sal torna o mar mais denso, o que faz com que os corpos das pessoas, relativamente menos densos, flutuem.
O Mar Morto encontra-se atualmente em riscos de desaparecer. O Rio Jordão, responsável pelo abastecimento da maior parte da água que o Mar Morto contém, tem sido desviado por Israelitas, Palestinianos e pela Jordânia, razão pela qual se estima que o nível do Mar Morto esteja atualmente a decrescer 1 metro por ano.
Apesar de ser fácil flutuar neste mar, ele não é o sítio mais indicado para se passar uma tarde de verão. O sal presente nas suas águas pode provocar a morte a uma pessoa por asfixia caso seja engolido, uma vez que ao entrar em contacto com a laringe as pode inflamar, podendo provocar também cegueira caso entre em contacto com os olhos. Devido a estas características pouco aprazíveis, a pesquisa das profundezas do Mar Morto tem sido dificultada.
Apesar de o Mar Morto ter o nome que tem, as suas águas não são completamente desprovidas de vida: estima-se que existam cerca de 1000 a 10 000 micróbios (principalmente arquea) por ml de água, sendo que as quantidades normais nos oceanos correspondem a 100 000 a 10 000 000 bactérias por ml (e note-se que existem também protistas e animalia nas águas dos oceanos).
Descobriu-se, no entanto, que o Mar Morto possui mais vida do que se imaginava, através da pesquisa das suas profundezas.
Suspeitando da existência de fenómenos desconhecidos no fundo do Mar Morto devido à existências de ondas concêntricas na superfície do lago, cientistas com equipamento de alta tecnologia e com mergulhadores profissionais descobriram a existência de fontes de água com salinidade “normal” no solo do lago.
Amostras de água recolhidas dessas fontes revelaram a existência de uma maior quantidade de micróbios do que em outros pontos do Mar Morto e, nas vizinhanças dessas mesmas fontes, descobriram-se mantos bacterianos.
Dá para perceber que no Mar Morto não há falta nenhuma de sal.
As bactérias descobertas incluem organismos fotoautotróficos e bactérias que obtém energia através da oxidação de sulfidos, químicos presentes na água do lago. Algumas destas bactérias constituem novidades para a ciência, enquanto outras correspondem a espécies já conhecidas que, no entanto, se desconhecia sobreviverem em concentrações salinas tão elevadas.
Os organismos que vivem em zonas vizinhas desses lagos correspondem a halófilos (extremófilos que vivem em ambientes com grande concentração salina); o que é estranho é que, geralmente, halófilos não sobrevivem em condições de salinidade consideradas, a nosso ver, normais. No entanto, os extremófilos descobertos conseguem aguentar tanto as condições salinas da água que é ejetada pelas fontes como as condições salinas comuns no Mar Morto.
A equipa realizou um vídeo da expedição, que revela os novos mundos de vida encontrados em pleno Mar Morto. Nas cenas finais do vídeo é possível observar os mantos bacterianos (de cor esverdeada e esbranquiçada).
Uma nova expedição está já marcada para este mês, que se espera vir a dar mais respostas ao tipo de vida destes organismos.
Uma coisa: apesar de não haver peixes no Mar Morto, é possível observar no vídeo de vez em quando estruturas que fazem mesmo lembrar peixes. O mais provável é que sejam bolhas de ar, mas ainda assim são curiosas
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